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Artigos
Idéias que rendem. Para empresas e empregados
Aproveitar sucata de aço na
fabricação do teto de um carro. Deixar de aplicar verniz em partes não
visíveis do veículo. Reutilizar pastilhas gastas na ferramentaria. Essas
são algumas das medidas adotadas pelas três maiores montadoras
instaladas no País, Volkswagen, General Motors e Fiat, que, em apenas um
ano, resultaram numa economia de mais de R$ 30 milhões. E o que é mais
importante: nenhuma das sugestões partiu dos gabinetes de executivos,
mas do próprio chão da fábrica.
A acirrada competição obriga as montadoras a cada vez mais buscarem a
redução de custos. Elas perceberam que não precisam de especialistas
nessa área. Basta um incentivo extra aos funcionários e as idéias jorram
diariamente. No ano passado, a GM recebeu 46 mil sugestões, das quais 15
mil foram aprovadas. A aplicação na fábrica resultou em economia de R$
6,8 milhões. Como recompensa, a empresa pagou aos trabalhadores que
tiveram propostas selecionadas R$ 1,6 milhões, suficiente para a compra
de 80 modelos Celta.
Na Volks, os operários embolsaram no ano passado R$ 633 mil por idéias
que renderam à empresa redução de R$ 10,3 milhões em custos. O prêmio
máximo foi recebido pela analista de importação Sueli Canastra. Ela
desenvolveu uma estratégia de transporte das peças importadas da
Argentina para São Bernardo que resulta em corte de R$ 1 milhão mensal
em despesas. Ganhou por isso R$ 39,5 mil.
“Fiz uma viagem ao Maranhão com meu marido e vou comprar um carro novo”,
diz Sueli, de 48 anos, há 20 na Volks. Desde que o programa Geração de
Idéias foi implantado, há três anos, a montadora economizou R$ 16,9
milhões com a adoção de 996 melhorias sugeridas, entre 11,5 mil
apresentadas. A distribuição de prêmios soma R$ 1 milhão. Neste ano,
novas propostas já somam econômica de R$ 10 milhões.
“A participação é espontânea mas, no ano passado, registramos uma média
de 3,1 idéias por empregados”, diz o supervisor do processo de sugestões
da GM, Rinaldo De Santis. A montadora é uma das veteranas desses
programas no Brasil. Implantado em 1962, tem saldo de 533,2 mil
sugestões recebidas, 150,6 mil premiadas, economia de R$ 485,8 milhões e
R$ 65,7 milhões em prêmios. A empresa paga ao funcionário valores que
vão de R$ 15 a R$ 6 mil.
Entre as idéias adotadas estão a de não aplicar um tipo de verniz
premium nas partes não visíveis do carro, como embaixo da roda. Para
evitar o desperdício, foi preciso um ajuste nos robôs da pintura.
Outra sugestão foi a de reaproveitar as pastilhas usadas em máquinas da
ferramentaria. Importadas, tinham custo alto eram trocadas com
freqüência. O funcionário Eduardo Galerani descobriu que, afiando as
peças, a viga útil é prorrogada. A GM deixada de gastar R$ 101,5 mil ao
ano.
Na Sexta-feira, 50 empregados da Fiat vão receber prêmios de R$ 2,5 mil
a R$ 4 mil e modelos Palio. Suas sugestões foram escolhidas dentro do
Boas Idéias e Soluções (BIS) que, no ano passado, rendeu corte de R$ 14
milhões nos custos do grupo, valor que sobe para R$ 44,5 milhões se
contabilizada a economia desde 2001, quando esse programa começou.
Foram operários que sugeriram a mudança no corte do adesivo adventure na
picape Strada, que reduziu seu custo à metade. Também a proposta de usar
a sobra da chapa de aço após o corte da tampa traseira do Mile. O
produto, que antes ia para a sucata, agora é reaproveitado no teto do
Palio.
Os resultados obtidos pelo BIS chamaram a atenção da Fiat na Itália, que
pretende adotá-lo, diz o gerente de competitividade do Produto, Osias da
Silva Galantine. O responsável pelo projeto no País, Antonio Luiz
Damião, já está na matriz para o desenvolvimento local.
PRÊMIOS PODEM SER SIMBÓLICOS
Mesmo quando a idéia não vale dinheiro, funcionários não se recusam a
opinar. Na Ford, o brinde é “simbólico”, mas só a fábrica de São
Bernardo apresentou 1.700 sugestões nos últimos seis anos. Elas são
feitas por grupos de operários da produção, que se contentam com
camisetas, bonés, certificados de reconhecimento e foto no jornal
interno. Recentemente, os grupos pediram cestas básicas como premiação e
os vencedores escolhem instituições sociais para a doação.
Paulo Bizan, coordenador do Sistema Produção Ford (SPF), conta que um
grupo proporcionou a redução em uma hora para a produção de cada carro,
com uma mudança no comprimento da linha de montagem. “O ganho é muito
grande”.
A Renault também não oferece dinheiro, mas diplomas, viagens e produtos
como aparelho de jantar. Em dois anos, recebeu mais de 20 mil idéias dos
1.700 funcionários. No processo de montagem o utilitário Frontier, uma
das ferramentas riscava a pintura das rodas. Os operários cortaram o
gargalo de uma garrafa PET, encaparam a ferramenta e o problema acabou.
“O orgulho de ter participado de uma solução é impagável”, diz Carlo
Magni, diretor de RH da Renault.
O funcionário da Renault também é um “embaixador da marca”. Se escuta
alguma reclamação ou sugestão de proprietários (vizinhos, amigos,
familiares, na rua, no ônibus) ele tem uma linha exclusiva para
apresentar o fato. A empresa entra em contato com o cliente tenta
resolver o problema. Depois, o empregado fica sabendo do resultado
obtido.
Consumidores também ajudam a mudar produtos. A antena do teto do Scénic
2004 foi reduzida à metade após várias reclamações de que enroscava em
garagens e portões. (C.S) |